Refluxo gastroesofágico e Obesidade

Refluxo gastroesofágico e obesidade: Qual a relação?

Você sabia que refluxo gastroesofágico e obesidade podem estar relacionados? A obesidade é um forte fator de risco para sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) assim como para erosões esofágicas. A Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal aponta a obesidade como a principal causa de refluxo frequente e azia. Qualquer ganho de peso aumenta o risco de DRGE, incluindo indivíduos cujo peso é considerado dentro da faixa normal. Mesmo um aumento moderado de peso pode contribuir para o desenvolvimento de DRGE ou aumentar a gravidade dos sintomas em indivíduos com peso normal.

A relação entre refluxo gastroesofágico e obesidade

No entanto, a relação entre refluxo gastroesofágico e obesidade ainda é objeto de debate. De fato, na maioria dos casos, a cirurgia bariátrica diminui o refluxo pela perda de grande quantidade de gordura. Por outro lado, algum procedimento restritivo pode piorar ou causar DRGE. Portanto, ainda não está claro se os candidatos à cirurgia bariátrica precisam ou não realizar testes de refluxo pré-operatórios. A doença do refluxo gastroesofágico, caracterizada pela ocorrência crônica de refluxo ácido, tem uma conexão comprovada com a obesidade em ambos os sexos, embora exista associação mais forte entre obesidade e DRGE em mulheres. A distribuição de gordura, especificamente a obesidade intra-abdominal, é um fator de risco crítico no desenvolvimento da DRGE. A circunferência da cintura, em vez do índice de massa corporal (IMC), é a melhor medida de obesidade para prever incidência de DRGE.  A relação entre essa medida e a DRGE é maior nos caucasianos do que em outras etnias. Os dados dos estudos mostram que:
  • indivíduos com IMC> 30 têm duas vezes o risco de desenvolver DRGE em comparação com aqueles com IMC normal.
  • há conexão entre IMC> 25 e a ocorrência de hérnia hiatal, uma condição em que o aumento da pressão no abdômen empurra parte do estômago através do diafragma para a cavidade torácica.

Alterações na fisiologia relacionadas à obesidade

A obesidade pode ocasionar alterações na fisiologia que geram aumento dos sintomas de refluxo ácido e o desenvolvimento de refluxo gastroesofágico.

1) Esfíncter Esofágico Inferior

O esfíncter esofágico inferior é um grupo de músculos na base do esôfago que se abre quando o alimento é ingerido, permitindo que ele entre no estômago. Posteriormente, ele se fecha a fim de manter ali o conteúdo. O ponto em que o esôfago e o estômago se conectam é denominado junção gastroesofágica. A obesidade causa diminuição da pressão nesse grupo de músculos. Dessa forma, a força exercida quando o esfíncter se comprime não é suficiente para manter o alimento no estômago. A falta de pressão adequada no esfíncter permite que o alimento reflua no esôfago, causando azia, bem como dor pela irritação ácida do esôfago. O peso abdominal e o ato de comer em demasia enfraquecem o esfíncter, o que força o conteúdo do estômago para cima, em direção ao esôfago. Esses dois fatores impedem o fechamento adequado desse grupo de músculos.

2) Hérnia hiatal

A hérnia hiatal é comum, principalmente nos indivíduos com excesso de peso. A hérnia pode favorecer o refluxo do conteúdo do estômago no esôfago. Para tratamento, são prescritas drogas redutoras de ácido, além de mudanças na dieta e alteração do estilo de vida. Se, no entanto, essas medidas não controlarem os sintomas da DRGE causados pela hérnia, a cirurgia pode ser necessária.

3) Níveis de estrogênio

Os níveis de estrogênio nas mulheres e nos homens aumentam à medida que o IMC aumenta. Esse hormônio afeta os níveis plasmáticos de óxido nítrico. Assim sendo, à proporção que os níveis de estrogênio aumentam, os níveis plasmáticos de óxido nítrico também se elevam. O óxido nítrico, por sua vez, causa relaxamento muscular suave. O relaxamento do músculo liso origina o enfraquecimento do LES (esfíncter esofágico inferior), permitindo a ocorrência de refluxo ácido.

Tratamento

A obesidade e a DRGE devem ser tratadas. Contudo, a condição subjacente da obesidade deve ser remediada antes que a DRGE possa ser curada. Pesquisadores descobriram que mesmo um ganho de peso moderado pode exacerbar a DRGE. Assim, a perda de peso é um tratamento eficaz para indivíduos com sobrepeso. Para o tratamento dos sintomas da DRGE, estão disponíveis medicamentos prescritos e redutores de ácido. Estes podem ser usados para encobrir os sintomas da DRGE e permitir a cura da irritação e azia do esôfago. Isso, no entanto, não cura a DRGE. A causa subjacente deve ser solucionada, ou seja, neste caso, a obesidade deve ser combatida. Antes de tomar medicamentos leia e siga as instruções e as recomendações do médico e do farmacêutico. Drogas redutoras de ácido podem ter interações negativas com certos medicamentos. Além disso, a taxa de absorção e pode não ser apropriada para alguns indivíduos. Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como cirurgião do aparelho digestivo em Ilha Solteira e Barretos!

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